Israel Badin Viana (1985…. 17/04/2014 †)

Armínio Santos

Israel Badin Viana, assassinado, 17/04/2014, chegou ao Clube Conquistense de Xadrez, oriundo das classes de xadrez proferida pelo professor da Uesb, Marcelo Amaral, no então colégio Juvêncio Terra, em 1995, quando tinha 10 anos de idade. Jogador de grande talento, tendo conquistado diversos títulos no xadrez municipal e estadual, se envolveu ou foi envolvido no mundo tenebroso das drogas. Eu, bem como os demais integrantes do Clube Conquistense de Xadrez, acompanhamos o seu grande esforço para se libertar deste terrível flagelo. Entretanto, para todos que adentram ingenuamente ou influenciado por pessoas de estrato social e contextos diferentes que defendem a legalização, e tentam normalizar, hipocritamente, situações anormalizáveis, principalmente para pessoas de camadas sociais mais pobres, Israel teve que travar imediatamente três grandes lutas para tentar se afastar deste mundo mortal: 1. A luta contra o próprio vício; 2.A luta contra o submundo das drogas caracterizado pela ausência de regras de moral, onde a vingança, a violência homicida, os códigos estranhos fora do Leviatã de Hobbes, imperam em substituição às leis; 3. A luta para se afastar do radar da polícia. Testemunhamos a sua luta e a enorme ajuda que o xadrez lhe ofereceu. Entretanto, numa batalha tão desigual, desconhecemos os detalhes que lhe levou a morte por assassinato, por lobos, que se nutrem do oxigênio cego da violência. Certeza temos, apenas, que ele lutou com todas as suas forças, pois esta era a sua característica nos duros embates dos torneios estaduais de xadrez, aonde a sua perseverança e crença num resultado positivo, não raro, faziam com que partidas se decidissem no último minuto. Tais características enxadrísticas, sabemos todos nós jogadores de xadrez, não é possível em pessoas pusilânimes. Por isto é possível afirmar que estas características do seu estilo de jogo, já eram pré-existentes a sua personalidade enxadrística.

Enquanto lutava, ensinou xadrez a inúmeras crianças, que com o seu incentivo são hoje bons enxadristas, tal como mostra a foto abaixo.

badin

Neste dia terrível de 18/07/2014,no qual um telefonema de Marcelo Amaral, às 11 h, me pôs a par deste trágico evento, eu parei todos os planos de lazer, para refletir sobre o que conhecia de Israel e sobre um artigo da Folha de São Paulo, deste dia, no qual o diretor de teatro, José Celso Martinez Corrêa, faz enfática defesa do uso da maconha. A árvore de relações das minhas experiências de vida, leituras de muitos livros, situações vividas como aluno e professor se impôs numa confusão entranhada, tendo como plano de fundo a morte de Israel Badin. Pensei primeiro sobre o Princípio de Precaução, que se usa nos estudos de impactos ambientais, quando não é possível predizer as magnitudes dos impactos. Certamente o José Celso não usou este Princípio na opinião de pessoa pública. Em seguida pensei sobre o tipo de gente que fornecia drogas para usuários. Pessoas que viviam num mundo hobesiano de violência. Novamente o José Carlos: ele não considerou que o usuário também virava frequentador e dependente deste mundo imprevisível, no qual a morte de pessoas é mera rotina de trabalho. Por coincidência, a música de Felipe Catto que tocava, naquele momento, dizia o seguinte verso: “num mundo de prazer, a compaixão é um pecado”. Saí da reflexão do verso para a sala de aula, num intervalo, aonde certa vez, um aluno me perguntou qual o motivo principal que me fazia posicionar contra as drogas? Lembro-me de que eu respondera com uma citação de Pedro, o apóstolo: “Pois todo o homem é escravo daquilo que o domina”. E ajuntei: respirar liberdade, para mim, não tem preço. Em seguida refiz o conhecimento básico sobre o vício de drogas, no qual era absolutamente imperioso que o dependente não recaísse, pois neste caso o cérebro agiria contra a própria pessoa, e rebobinaria a fita de todos os momentos de prazer pelas drogas, mesmo os mais remotos, selecionando e fixando no presente para o dependente, os momentos mais prazerosos. Qual a magnitude da luta que o dependente tem que travar? Pensem no amor de Romeu e Julieta, de Shakespeare. Por um momento imagine que Julieta repudiou Romeu para sempre. A dor desta perda é mais ou menos equivalente a síndrome de abstinência, uma vez que as áreas do cérebro responsáveis pela perda decorrente do amor e do vício de drogas são as mesmas. Não necessitaria, reflito, diante de um cenário tão complexo e desafiador para o dependente, que pessoas arrogantes intelectualmente, sem dominar ou conseguir predizer todas as variáveis, emitam verdades definitivas, como este teatrólogo. Ou ainda mais: ignorem as forças contrárias, retrógradas e que interagem constantemente com consequências imprevisíveis. Estas forças retrógradas aparecem naquelas pessoas que acham que os usuários têm que ser presos e colocados, como ocorre frequentemente, junto com detentos periculosos. Pontos de vista que chancelam como normais, os assassinatos de pessoas envolvidas em drogas. Que dão carta branca para o discernimento e juízo de valor a uma polícia violenta e sem controle efetivo da sociedade. Que destilam sentimentos de vingança irracional contra párias e lobos de todo o tipo, confundindo o problema da violência (que é um problema de política pública, portanto, de planejamento inteligente) com vingança. Lembro-me de passagem do canal Discovery e de sua informação de que a área do cérebro responsável pela fome é a mesma do sentimento de vingança.

Neste ponto, reflito que Israel Badin, certamente teve que travar uma luta não apenas com as três grandes forças que indiquei acima, mas com muitas outras. Forças que intuo, oriundas de um mal banalizado pela abdicação da capacidade de pensar, de pessoas comuns, que abrem caminho para uma escalada de violência gigantesca. Pessoas que substituem a principal característica que nos fazem humanos, a capacidade de pensar (“Penso, logo existo”! Descartes) por crenças odientas e irracionais, tais como: “marginais têm que ser mortos”, “que dependentes de drogas devem ser presos”, que “homossexuais devem ser eliminados”, que “o fato da mulher usar saias curtas deve dar direito a lobos estupradores”, “que se estiver com pena de um marginal, deve-se adotá-lo” e tantos outros. Todos os elos se ligam. Inclusive o elo de ausência de padrões de moralidade dos nossos governantes corruptos. Forças demais para enfrentá-las.

Vá com Deus Israel Badin e com os desejos que você consiga no outro lado (conforme acredito) a paz que este mundo dos violentos, dos sem ética e dos lobos, lhe negaram. Descanse em paz e siga trabalhando em paz, num outro mundo que imagino, seja bem diferente deste.

2 comentários em “Israel Badin Viana (1985…. 17/04/2014 †)”

  1. No domingo próximo passado-Estava participando de um torneio de xadrez -Dias depois,morto por daqueles que juntos com os corruptos de toda “especíe”desgraçam o paraíso conhecido como Brasil!.Sociedade alguma,civilizada eevoluída -Jamais necessitou de drogas,exceto,em doses terapêuticas-Estabelecidas por profissionais de medicina.De outra forma,torna-se um meio eficiente de escravizar e destruir a personalidade do ser humano -Liquidando as suas esperanças e os seus sonhos.

    1. Meu pai era e sempre foi um grande homem que mudou a vida de varias pessoas inclusive a minha, muitas pessoas podem achar que é só + uma pessoa morta, mais eu digo que ele é o homem mais legal,mais BONITÃO e top que eu já conheci em toda minha vida e eu não passei tantooo tempo assim pra saber o que ele fazia. Muitas e muitas vezes ele me ligava e dizia que ” ANTES DE SER SEU PAI SOU SEU MELHOR AMIGO ” e eu acreditava só não achava que eu precisava contar tudo a ele mais eu não imaginava que Deus chama-se 0 tão cedo assim ,mais ele sempre estará em memória de muitas pessoas ele não vai sair da minha ( pelo menos ) tão cedo ou NUNCA ! <3
      Ass: Sua filha …

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